Max Fleischer, EUA,1917,  Koko Chop Duey
Max Fleischer desenhou o personagem Koko

Axterix se populariza com o desenho de Uderzo acompanhado do texto de Goscinni

texto Goscinni e desenho de Uderzo
Asterix, com o texto de Goscinny e o
desenho de Uderzo decolou dos quadrinhos
para o desenho animado

Pat Sullivan colocou Felix the cat no mundo

Felix the cat é de 1917
Pat Sullivan e o Felix the Cat, em 1917, nos EUA

Truca fabricada pela empresa Oxberry
Modelo Oxberry para apoio de
câmara de filmagem, mesa para os
acetados desenhados e, ainda,
espaço para multiplanos e rotoscopia

Charles Schultz e os Peanuts
O sucesso dos Peanuts está no texto inteligente
e numa representação gráfica simples,
quase infantil, que facilitou a
elaboração de desenhos animados

Leitura D - O desenho animado. As leis fundamentais da Física regulam o comportamento de qualquer objeto no mundo natural. O movimento depende de como o objeto é afetado pelas forças da gravidade e atrito. Os três princípios ou leis do movimento demonstrados pelo físico Isaac Newton dão conta que: 1) Um corpo em repouso tende a permanecer em repouso. Da mesma forma que um corpo em movimento tende a permanecer em movimento; 2) O estado de repouso ou de movimento de um corpo só pode ser alterado pela ação de uma força externa. O corpo se move em linha reta, seguindo a direção da força aplicada, até que outra força atue para mudar a sua direção ou rumo. 3) Toda a ação causa uma reação igual e contrária. Geram forças opostas. Essas regras são percebidas quando, por exemplo, uma bola cai, bate no chão, perde sua forma esférica ficando achatada. No desenho animado isso é exagerado para salientar ainda mais essa deformação. O desenhista que se volta para a animação vai logo descobrir que abraçou uma arte difícil e trabalhosa. Tem que compreender não só a própria arte e técnica como também saber e avaliar as características do movimento de homens, animais, plantas, ar, água, paisagens, máquinas e, até de dinossauros. Tudo que se move é animado, em particular, tudo o que se move por ter vida. Em 1908, na França, Emile Cöhl fazia saltitar contra um fundo negro os seus bonequinhos de um só traço. Um ano depois, o norte-americano Winsor McKay produzia Gertie the Trained Dinosaur, onde utilizou cerca de 10 mil desenhos e disseminou entre as platéias a idéia do desenho animado de curta metragem como parte da programação normal dos cinemas. Em seguida Pat Sullivan, um australiano que havia emigrado para os Estados Unidos, fez progredir a técnica do desenho com o Gato Félix. Mais tarde, outro artista, o alemão Max Fleischer, que também emigrou para os EUA, criou o palhaço Koko e introduziu com sucesso o ritmo no desenho. Mas os desenhos animados só chegaram a ser o que são depois da trilha sonora e da película de celulóide transparente. Walt Disney fundou seu estúdio em 1923 e, entre os anos de 1928 a 38, viveram um período rico em ganhos técnicos e sincronizações entre sons e imagens. Silly Synphony, Mickey Mouse, Pato Donald, Branca de Neve e os Sete Anões revelaram a harmonia na combinação de cores, músicas e efeitos sonoros que elevaram o desenho animado a um novo patamar de maturidade como entretenimento. A televisão é hoje a principal incentivadora da produção de desenhos animados, principalmente para comerciais. Programas educativos que abordam assuntos relacionados com a geografia, o ensino de idiomas, a eletrônica, a matemática, as ciências e a agricultura vêm se utilizando de animações. Contribuem sempre para produções experimentais interessantes. No início da década de 70 houve uma súbita expansão dos longa metragens em desenho animado além daqueles elaborados por Disney. Entre eles Astérix, de Uderzo e Goscinny, produzido simultaneamente na Bélgica e na França; Fritz the Cat, de Robert Crumb, animado por Steve Krantz e Ralph Bakshy que anos mais tarde produziu American Pop, feito nos EUA; além de outros realizados inclusive no Japão. Não existe praticamente outra forma de arte na qual a idéia do artista e a técnica que ele deve utilizar para expressá-la estejam tão intimamente relacionadas. O pintor se expressa diretamente usando o pincel sobre a tela; o escultor modela um bloco de pedra diretamente com suas ferramentas. No caso da animação há toda uma complexa operação técnica a ser realizada antes que venha a se concretizar a verdadeira concepção do artista. Cada estágio afeta a natureza de seu trabalho. O animador trabalha em termos de espaço para criar efeitos em termos de tempo e de som. Tudo para realçar e fazer brilhar um simples movimento. A trilha sonora, composta de vozes, efeitos sonoros e música quando coincidem com o movimento do desenho resultam num grande impacto para quem assiste. A figura humana, por exemplo, pode se mover como o príncipe em Branca de Neve e os Sete Anões. No entanto, a figura dese-nhada realisticamente não é o mesmo que uma figura real, esse naturalismo postiço é contraproducente e pode parecer inatural. Uma figura desenhada deve ter as qualidades livres do desenho, como os anões e a horrenda bruxa tão bem caricaturados. Na verdade, as qualidades essenciais da animação começam onde a ação real do filme ao vivo termina. Na produção de desenhos animados há uma razão técnica para tais exageros e simplificações, pois quando é preciso produzir em grande quantidade com vários artistas é essencial que haja uma grande economia gráfica através da ênfase em determinadas características dos personagens. No caso de figuras humanas a caracterização pode ser obtida com a distorção da forma e das proporções – olhos grandes, cabeça grande, corpo pequeno. A década de 20 foi marcada pela interferência de artistas da Bauhaus, centro da arquitetura experimental, fundado em 1923 por Walter Gropius, em Weimar, na Alemanha. Seus mestres e discípulos iriam encontrar mais tarde, nos Estados Unidos, um terreno fértil e receptivo para suas atividades, inclusive no desenho animado. Mostraram que o animador tem que ser sensível e compreensivo, além de criar sua própria estética enquanto trabalha em grupo, pois o público, mesmo o infantil, sabe distinguir entre um bom e um mau desenho animado. Um desenho mal feito frustra e insulta o senso de entretenimento. Um desenho animado é magia. Continua a ser uma caixa de truques tão rápido quanto os olhos, uma prestidigitação dentro de um breve tempo determinado. E, talvez, a fonte principal de inspiração para o desenho animado sejam as histórias em quadrinhos. As animações podem transformar em entretenimento a apresentação de fatos, figuras, sistemas e idéias. São capazes de mostrar, com rapidez, imaginação e bom humor, como funciona uma indústria, um órgão de governo ou até mesmo um projeto de lei. É capaz de simplificar aspectos essenciais de qualquer assunto. Na década de 70 a British Petroleum Company, antiga Anglo Iranian Company, patrocinou uma série de desenhos animados sobre a evolução da indústria do petróleo que inspirou Norman McLaren, do National Film Board, no Canadá, a realizar um filme delicioso e inteligente sobre o crescimento dos transportes naquele país. Conseguiu uma animação que analisa e apresenta o assunto por meio de símbolos gráficos.


continua...