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Enquanto o filme de ação ao vivo particulariza, o desenho animado generaliza, tornando universal aquilo que procura explicar. McLaren se tornou o mais conhecido produtor de animação abstrata ou quase abstrata além de um pesquisador e explorador de novas técnicas gráficas. Num meio tão livre e flexível como é o desenho animado, o campo da experimentação é infinito. Uma pesquisa de McLaren, em 1951, acabou influenciando a produção de Yellow Submarine para os Beatles realizado anos mais tarde, em 1967. A animação pode chamar a atenção para certos movimentos básicos e a experiência demonstra que quanto mais curto é o filme mais eficaz é a aprendizagem. Na verdade, a animação tende a abreviar a ação, narra a sua estória mediante formas e configurações simplificadas que transmitem aos olhos e à mente um rápido fluir dos acontecimentos. A compressão é uma das virtudes da animação. Assim sendo, os desenhos animados se assemelham mais à poesia do que à prosa, uma vez que usa as imagens gráficas como simbolismo. O animador deve se tornar um tipo especial de dramaturgo. No desenho animado a criação do astro depende da habilidade do animador. O impressionante está no número de animadores artistas verdadeiramente capazes de realizar essa tarefa que ainda é muito pequena. Assim, o maior problema do desenho além da construção da estória, é a competência do animador e sua equipe. A concepção inicial do filme animado ocorre quando o animador conhece bem a platéia e os locais onde o desenho vai ser visto. A partir daí prepara o storyboard, que é a apresentação visual da idéia numa série de esboços. O storyboard mostra as idéias central e as de apoio. Apresenta a lógica do pensamento em termos de uma ação ou estória pictórica, com piadas, bonecos ou gimmicks visuais principais. Também mostra o estilo, formato, coreografia e a continuidade de movimento. Cada animador deve desenvolver a sua própria aptidão na construção dos storyboards iniciais, pois eles logo passarão a constituir uma mostra muito convincente do seu estilo particular, a sua marca registrada. O storyboard é a fase exploratória de qualquer filme de animação. É muito parecido com uma estória em quadrinhos. Cada desenhista cria o seu próprio método abreviado. Indicando como os seus esboços e gráficos imóveis se moverão no estágio da animação. Mas nunca devemos esquecer que o storyboard não passa da crisálida que finalmente será abandonada quando toda a discussão terminar e tiver início o verdadeiro trabalho de animação. Desde os primórdios do desenho animado o que mais atrai as platéias são os inusitados personagens Popeye, Mickey, Beep-beep, Gato Félix, Pato Donald, Pernalonga, Jetsons, Simpsons, Beavis and Butt Head e muitos outros são exemplos de empatia rápida e duradoura com o público.Em animação o único substituto do gênio é o talento. Muito talento, pois os esboços silenciosos do storyboard devem levar em conta não apenas a visão, mas também o som. A música sublinha, integra e pontilha o desenho animado. Não raro o trabalho entre o animador e o compositor tem que ser integrado e constante. Faz parte da arte do próprio animador desenvolver também um bom senso musical, saber o que a música é capaz de fazer em benefício do seu desenho animado. Além disso, o animador tem que testar as vozes dos atores escolhidos para cada um dos personagens. No início, antes dos computadores gráficos, as animações foram realizadas por câmaras de filmagens, folhas de acetato delgado e transparente padronizadas em 277 por 380 milímetros para permitirem o zoom das câmeras incluindo os fundos em multiplano. Acrescentando mais detalhes e realismo na cena. Ainda hoje, quando é utilizado filme, ou película, os desenhos são passados aos acetatos em xerografia. Desenhos digitalizados por scanners são colorizados e animados por computadores, podem ter dimensões menores. Em 1941 John Halas se associou com a namorada Joy Batchelor para fundarem aquele que se tornou, a exemplo do National Film Board do Canadá, o mais famoso estúdio inglês: o Halas and Batchelor Cartoon Film Unit, que produziu os famosos Animal Farm e Yellow Submarine além de centenas de outros desenhos animados para televisão. Atualmente as produções de desenhos animados longa metragem têm se concentrado na utilização da computação gráfica processada em estações Silicon Graphics, Sun, SGI Indigo e mesmo em plataformas IBM-PC. Comerciais e partes inteiras de filmes hoje são feitas com essas poderosas estações gráficas que rodam em linguagens Unix, Windows e outras que comportam programas de animação como o Alias Wavefront, Power Animator, Softimage e 3DMax. Em Guerra nas Estrelas o diretor George Lucas consolidou os e-movies, ou filmes eletrônicos feitos quase que totalmente em computadores. “Parece que o termo desenho animado seja inadequado e sugere as momices engraçadinhas de pequenas figuras planas, desenhadas em curvas fáceis e sentimentalizadas ou mesmo numa simplificação geométrica estilizada. As platéias se empanturram de imitações surradas que animadores fazem do trabalho uns dos outros. Todavia, sempre haverá público para filmes produzidos com originalidade e imaginação. E, sempre que ocorrerem coerções em relação a tempo de produção e a retirada do espaço para pesquisa, muito provavelmente o resultado continuará sendo a mediocridade. Esse é o perigo das mirabolantes linhas de montagem compostas por animadores, desenhistas, coloristas e outros que podem produzir um entretenimento passável, mas jamais uma obra de arte, mesmo que seja uma obra de arte de segunda categoria”, relatou com muita propriedade o desenhista Philip Stapp do estúdio inglês Halas and Batchelor.
Mas nunca devemos esquecer que o storyboard não passa da crisálida que finalmente será abandonada quando toda a discussão terminar e tiver início o verdadeiro trabalho de animação O processo de elaboração de um desenho animado se resume em três perguntas:
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